segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
Sobre Argel
sábado, 17 de Outubro de 2009
Au revoir Oran
Je ne sais pas si ce fut une expérience bonne ou mauvaise, mais il était certainement frappant et indélébile
Je suis arrivé aujourd'hui à Alger, la blanche (apparemment déjà été blanche, alors la vue de blanche juste le nom).
quinta-feira, 15 de Outubro de 2009
Da saudade e tudo mais
Hoje deu-me a saudade. Quando se está longe de tudo e de todos, dos que gostamos claro, acontece isto. Hoje aconteceu-me. Assim de repente senti saudade. Saudade das gentes, dos costumes. Não de ti. Sinto sempre. Senti saudade do Outono em Portugal, senti saudade dos filmes em francês no S. Jorge, senti saudade dos documentários na Culturgest. Senti saudades dos pastéis do Frutalmeidas, senti saudade de viver (não que a vida de resuma as filmes e pastéis). Aproximo-me da janela e vejo. Aqui é cair de noite…não há mais trânsito que a outra hora qualquer, não há hora de ponta, não há ponta sequer…
Hoje foi um dia de emoções…parece que gostaram de mim aqui e que ficam tristes pelo meu, em breve, regresso ao país que se diz grupo dos modernos (e que não admite chacotas e risos do grupo dos pobres). É curioso. Eu aqui no meu egoísmo com saudade do país que eu sempre achei que não me ligava nenhuma e o país que eu não ligo nenhuma com saudades de mim. Realmente queremos o que não temos (o meus país deve ser uma femme fatale da geografia).
Talvez tenham saudades da minha hipocrisia e do meu desprezo, talvez saudades da minha falsa superioridade, talvez saudades de verem o exemplo que não é. Talvez nem seja saudade e seja contentamento (lá estou eu com o meu mau feitio). Convidam-me por uma última vez para um cuscuz. Digo que sim, que vou ver se dá, mas a verdade é que não me apetece, não me apetece comer cuscuz de uma gamela nojenta, não me apetece conviver, não me apetece fingir que me apetece. Não sou franco quanto baste para dizer o que penso verdadeiramente dos hábitos, das pessoas e dos costumes e não sou franco porque não estou para esse cansaço, para esse desgastes para essa educação e não estou para isso porque me é mais fácil assim, assim tratar os outros com a soberba de quem não escolhe onde nasce mas se acha melhor por isso mesmo, talvez sejam disso que tenham saudades, mas não consigo deixar de pensar que tenho sido um elitista, sulista e liberal e logo eu, que detesto elitistas, sulistas e liberais.
O mal do homem é ser homem e depois disso social e definitivamente que o essencial da vida se resume nas jogadas do xadrez. Se um dia escolher o que sou noutra vida, escolho ser um gato.
terça-feira, 18 de Agosto de 2009
quarta-feira, 15 de Julho de 2009
Carta
A vida aqui tem sentidos diferentes dos nossos, houve um motim em obra porque foi despedido um chefe que era porreiro e veio outro que obrigava as pessoas a trabalhar, a vida vale tão pouco que foram puxadas facas para matar o crápula. Safou-se da escaramuça com algumas lesões num braço e uma expulsão da obra!(era suposto serem os agressores os expulsos). Não querem cá gajos que trabalhem! De técnicas de obra nem quero falar porque ia ser chato, mas é um desafio enorme não fazer muito mal as coisas aqui...e acho que com isto transmito a ideia geral do trabalho, até a coisa mais simples pode ser um problema e certo é que se não houver alguém a chatear os gajos, vai ser mal feito, mesmo que saibam fazer bem, fazem mal...o bem feito tem que ser demandado. Visitei uma obra argelina e constatei que num prédio de oito andares, os acabamentos são os que se usavam nos anos 50 em Portugal, senti-me no "Conta-me como foi", e pior, o elevador (nos prédios que existe) não parava em todos os pisos, mas apenas piso sim e piso não, para pouparem energia e ainda pior a escadas acabadas tinham degraus de diferentes alturas....aqui as coisas não é para fazer, é para ir fazendo...
Os argelinos têm um feitio difícil, a culpa é sempre de alguém e nunca deles, e se ontem eram meus irmãos, hoje se os chateio sou inimigo, mas se logo fizermos as pazes somos irmãos e ainda são gajos para me oferecerem uma mulher. Da minha parte não tenho "amigos" árabes, mas dou-me bem com toda a gente, tenho um talibã que me adora (ou então quer ganhar a minha confiança para me limpar o sebo) e que até disse que gostava de ter um calendário de gajas nuas e aprecia o Berlusconi?!. Tenho um manobrador de bulldozer que me pede para lhe tirar fotos, e até já me ofereceram uma virgem, mas eu não aceitei.
Apanhei a época alta dos casamentos, que num país de gente virgem representa uma data importante, é como se o mundo acaba-se amanhã, fazem ralis na estrada, gritam, as mulheres na noite de véspera fazem barulhos estranhos com a boca e quebram todas as poucas regras...e o mais incrível, têm umas bandas tipo Kusturika, mas que em vez de música fazem barulho, que andam numas carrinhas de caixa aberta a tocar pela cidade toda, uma banda móvel com um bombo, tuba, trompete e mais umas coisas, depois vão tocando por todo o lado e fazem a festa em todo o lado, quando se cruzam estas bandas fazem despiques! Uma visão de filme! De resto tudo parece um filme…o improvável acontece.
sexta-feira, 19 de Junho de 2009
Passado desvinculado de um presente em busca de um futuro
Tenho dias que chego ao fim desses dias e lembro-me do fim de outros dias que foram passados e tornados memórias… quem vive fora esquece sempre o pior e só se lembra do melhor, há um mecanismo de apagamento das coisas más que quase que faz apagar o motivo porque afinal estamos fora, é um estranho fenómeno esse.
Hoje descobri no mercado de Oran a ala da venda de antiguidades, ainda se vendem restos franceses muito úteis e aqui as oportunidades são óptimas, porque digamos que não há muito coleccionismo por aqui, tirando um ou outro estrangeiro aqui perdido ou despejado, as pessoas compram aqui coisas para usar e não para coleccionar com o prazer de ter coisas velhas que só quem tem coisas novas tem. Em algumas ruas agora com esgoto a correr livremente, ainda se sente o cheiro do frenesim de uma cidade que era um mimo, uma arquitectura exemplar, um resort á beira mal, uma cidade viva. Mais á frente encontro alguém que me tenta vender chapas identificativas das garrafas de bar. Recordo-me de uma, dizia: "Emille – Oran". Sou remetido para um cabaré francês, com plumas altas e cigarrilhas de senhora, uma belle epoque magrebina. O que será feito da vida da Emille? Passou por aqui uma tempestade de gafanhotos e devastou tudo em seu redor. O que mais custa não é a pobreza mas sim a inércia e a letargia, olho para as ruas e de repente sinto-me como elas. Passado desvinculado de um presente em busca de um futuro.
quinta-feira, 11 de Junho de 2009
Bonne weekend!
quarta-feira, 10 de Junho de 2009
quinta-feira, 28 de Maio de 2009
A catedral
segunda-feira, 18 de Maio de 2009
O levantar
domingo, 17 de Maio de 2009
Não sabia, também voam
segunda-feira, 6 de Abril de 2009
O senhor da pomba branca
sábado, 28 de Março de 2009
Efeito estação de comboios
"A outra meia"
Democracias musculadas
quinta-feira, 26 de Março de 2009
Curiosidades de um pais sem ATM (e sem assentos no is)
segunda-feira, 23 de Março de 2009
Travail a Algérie
sábado, 21 de Março de 2009
Oran - Algéria XV
Walking on the Algéria VII
Andar de carro nas estradas da Argélia é por si uma aventura, no troço de 5 km que faço diariamene é vulgar ver acidentes ditos graves(porque os toques não contam). Ultrapassagens de campeão, carros em sentido contrario e carros muito acima da lotação é o normal. Também normal é cruzarmo-nos na estrada ora com um Audi topo de gama ora com uma carroça de burros. Assimetrias, ainda assim o parque automovel é de forma geral bom, uma vez que os carros aqui custam metade do preço de Portugal. Renault e Pegeouts são os perdilectos, mas também ha a sucata chienesa e os low cost chevrolets, dacias e maruttis. (Chamo a atençao para a carrinha de "congelados" da ultima foto).
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